quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A GLÓRIA DOS ACAMPADOS

A especial primavera,
O campo sempre verde,
O céu constantemente azul.
É Cuba e suas ilhas feiticeiras.
Que entre o mar e as montanhas se perde
Na vida parceira.
Das mãos mestiças da luta,
Pátria idolatrada
Que desliza entre as flores
Com suave sussurrar.
Sua brisa perfumada
Que busca os amores
Nas ruas míticas e encantadas.
Povo sonhador!
Árvores reveladoras
Saúdam imponentes
Num frenético vai e vem.
O desafio das estrelas desalinhadas
Que brilham cintilantes,
Sedutoras
Repletas de prazer,
Mas na terra tão querida
A cobiça do império opressor
Desdenha na perversa e difamatória campanha.
Decreta, pois, esse povo,
A morte à traição.
Afasta-te arrogante dominante,
Das infinitas baías de Cuba
Das frescas manhãs,
Pois os gritos da guerra
Para sempre se calarão.
E então, Martí, o poeta maior,
os braços se abrem ao povo de tantas
Histórias que selam o seu passado
E glórias que enaltecerão o seu futuro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

OLIMPÍADA, AÇÃO PROLIXA OU OPORTUNIDADE?

O discurso - e as ações prolixas das classes dominantes, permanece repleto de peças inúteis determinando um modelo histórico de retrocesso diante da concepção de sociedade democrática, justa e inclusiva.

Desfigurado, é avalizado e reforçado pelo sistema hegemônico vigente que acomoda, portanto pouco transforma, não só pela falação, mas também por falta de eficaz atuação.

Lutar então é o que nos resta para desacomodar os “bem instalados” que emergem cada vez mais impunes e indiferentes.
Caminhos tortuosos da desonestidade e das descabidas licitações ilícitas, conduzidas com finalidade planejada com vistas ao controle absoluto dos padrões de conduta, que advém do estado de imobilização de uma sociedade muitas vezes ocupada com inutilidades.
Esta mesma sociedade torna-se então, mais empobrecida em oposição ao almejado estado de direito e de bem estar social que se perpetua no “dito pelo não dito” ou seja: cumprido parcialmente, numa perspectiva tipicamente neoliberal, coadjuvada pelos regulamentos de consumo, mantenedores da exclusão social entre o ter que prevalece ao ser.

E se está ruim, ainda poderá ficar pior!

A exposição do país na mídia internacional graças aos grandes eventos esportivos que se aproximam – Copa do Mundo e Olimpíada, pode gerar poucos ganhos e muitas perdas se levarmos em consideração as variáveis que tais iniciativas significam como a dependência do legado atrelado a um conceito do tipo “pós-venda”.
A Olimpíada tem sido compreendida, e de forma equivocada inúmeras vezes, como um evento exclusivamente de consumo, ou seja, o cidadão constitui-se em consumidor e pouco absorve dos seus reais benefícios, como o acesso democrático ao esporte nas suas diferentes formas de manifestação.
Não há como negar a importância dos Jogos Olímpicos.

Do esporte podemos apreender grandes lições de moral, civilidade, dedicação e respeito ao próximo o que por si só já seria uma grande contribuição diante dos lamentáveis e inúmeros eventos de corrupção por esse país afora, sem contar a violência com taxas das mais elevadas do mundo.

E se o esporte traz tantos benefícios qual a razão da penúria na qual se encontra?

Concordamos que o esporte é direito de todos, mas o que tem a ver a Olimpíada com isto? Quando muito o evento olímpico deveria estar coroando exatamente o sucesso de políticas voltadas para a prática do esporte nas escolas, nos clubes, nos espaços constituídos para este fim!

Esse seria o legado: ao esporte bem desenvolvido organizar-se-ia uma Olimpíada e não o contrário!

De fato, necessitamos com urgência repensar o esporte nacional compreendendo as suas imensas possibilidades de melhoria da qualidade de vida e da saúde da população brasileira.

O esporte não se constitui uma ação isolada, todavia!

Como não há muito mais o que se fazer neste aspecto, afinal ao que tudo indica os Jogos acontecerão de qualquer maneira, cabe agora remendar os equívocos e distorções dessa contra mão histórica!

Talvez seja uma posição ingênua, mas não terá sentido algum alterar simplesmente o rótulo sem modificar a qualidade do produto, possibilitando ao cidadão brasileiro os mesmos direitos e oportunidades, pois é ele, de fato, que deve conduzir os destinos da nação e não o contrário, mesmo com todas as perversidades a que somos submetidos, acometidos por uma ingenuidade e indiferença históricas, arquitetada pelas classes dominantes, é bem verdade!

domingo, 3 de julho de 2011

El NIÑO QUE SALTÓ EL MURO

¿Cúal podría ser la sorpresa y asombro de casi todo el mundo al enterarse que carlitos alumno aplicado y disciplinado , había saltado el muro de la escuela para participar de las clases en un día muy lluvioso y frío, tipico de aquella época del año!
Fue descubierto en su hazaña por el preceptor y llevado directamente a dirección.
Allí mismo recibió sanción por la gravedad de lo sucedido y registrado en su legajo personal.
No se le permitió ni siquiera el derecho a dar explicaciones.
No habría perdón.saltar el muro para ir a clase, dónde se ha visto eso?
Lo común sería lo contrario, saltar para huir.hasta ahí todo normal!de esta forma, carlitos traía una nueva situación y la novedad no era muy bienvenida dentro de las pardes de la escuela.
Agravó la situación el hecho de que carlitos vivía en la misma calle de la escuela, por eso era injustificable la tardanza.
Nervioso, además callado, escuchó la sentencia y no cuestionó.
No se atrevería!
No fue tomada en consideración su historial de buen alumno , respetuoso a los reglamentos de la escuela especialmente a sus profesores que lo tenían en un buen concepto, mucho más allá del promedio de los alumnos.
Más tarde él le confió a un amigo , que siempre le gusto mucho la escuela y aunque estaba atrasado , con el corazón dolido por la pérdida de su padre, su deseo era correr a la escuela , aquel lugar que tanto amaba.
Mucho se habló sobre lo sucedido , en reuniones , debates, hasta en el almacén de la esquina próxima a la escuela.
Había mucha indignación!
Entonces,¿ se debe cuestionar si la escuela garantiza un genuino espacio democrático, que permita poner en práctica los valores, experimentarlos y propagarlos?
¿estará la escuela preparada para identificar los abusos , que pueden causar daños irreparables tanto a alumnos en relación a los docentes?
Pero quien se propone actuar en el ámbito escolar debe observar aspectos fundamentales de : pertenencia, integración, respeto, rechazando las acciones unilaterales y excluyentes de todos los actores que participan en la educación, ya tan debilitada.
¿qué decir cuando la única opción está entre el hombre que pisa o el otro que desea pisar?



Texto gentilmente traduzido para o espanhol por Ruth Herrera
Las Heras, Mendoza, Argentina.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CIDADANIA E INCLUSÃO. UM ANO DE REFLEXÃO.

O meu contato com o universo blogueiro vem de algum tempo atrás, quando das minhas viagens à bordo dos finados "Crônicas Sobre Veracidades Factuais" e do "Pura Misantropia", espaços administrados por mim com o intuito de discutir temas que abordavam desde o nosso prosaico cotidiano até as questões que nos inquietam até hoje, como por exemplo, os caminhos por onde trilha a cultura nacional e a conscientização (ou a falta dela) acerca dos problemas que envolvem a sociedade.
Os "blogues" acima citados feneceram, muito embora as inquietações diante das injustiças sociais, da idiotização provocada pelos meios de comunicação e dos mandos e desmandos daqueles que governam o nosso "país olímpico" tenham aumentado em proporções oceânicas.
Para que a minha aflição possa ser controlada, invariavelmente tenho que recorrer aos espaços como o CIDADANIA E INCLUSÃO, blog muitíssimo bem conduzido por Paulo Celso Magalhães e que, para sorte e felicidade geral da nação, completa o seu primeiro aniversário. Para o deleite de todos os leitores que exercem o seu dever de contestação e indignação diante de uma desigualdade social provocada por uma classe dominante que teima em fazer desse país nada mais do que um grande investimento, foram doze meses de reflexão, aprendizado e, principalmente, boa leitura.
No decorrer desses doze meses, o professor Paulo Celso buscou, por intermédio de textos que brotaram de sua inquietude que apaixona a quem tem o privilégio de sua convivência, nos alertar sobre a necessidade de um paradigma coerente com a realidade brasileira, em oposição à burguesia hegemônica. Tal paradigma representa um campo fecundo no qual a reflexão crítica nos possibilita uma compreensão de temas que nos remetem ao entendimento do verdadeiro significado de cidadania.
Que tenhamos vários aniversários por aqui. Temas polêmicos, propostas e ações divergentes é que não faltam para que o leitor possa, a cada diálogo travado com um texto de Paulo Celso, perceber que a reflexão nada mais é do que um ato político que faz com que a realidade contextual possa ser compreendida.
Felicitações pelo primeiro aniversário!

Prof. Cláudio Delunardo Severino

CIDADANIA E INCLUSÃO, PRIMEIRO ANIVERSÁRIO

Após um ano de convívio, agradeço a participação e inúmeras sugestões dos amigos e em especial ao Claudio Delunardo, incentivador, revisor, crítico em primeira instância, querido leitor e amigo.
Para comemorar a significativa data, convidamos a professora Dra. Valéira Vieira, para divulgar sua tese de pós-doutoramento, que de forma brilhante nos brinda com um texto muito pertinente à proposta do próprio blog, ou seja, discutir a cidadania nas suas mais diversas significâncias.
Desejo a todos uma ótima leitura e profícuo debate com a autora.

terça-feira, 14 de junho de 2011

INCLUSÃO CIENTÍFICA. POR QUE NÃO?

Vamos pensar em inclusão científica de saberes. Porque não? Podemos trabalhar com a inclusão dos nossos jovens através do conhecimento científico adquirido ao longo de suas vidas, e, o mais importante, não necessariamente dentro da escola, mas em passeios que os divirtam e provoquem sua curiosidade!
Você quer programar uma mistura explosiva de conhecimento adquirido em um simples passeio?
Então vamos à receita:



1- Um espaço de Educação Não-formal, pode ser um Centro de Ciências, onde o visitante tem liberdade para interagir ou não com os módulos oferecidos, além de eleger o que mais lhe agrada. Neste espaço o público poderá ficar boa parte da visita apenas nas proximidades dos módulos ou manuseando os mesmos;



2- Módulos científicos criados especificamente para entreter o público jovem, buscando aguçar sua curiosidade e responder às questões científicas pertinentes aos conceitos aos quais estes módulos foram construídos;



3- Pessoas, monitores treinados para estimular cientificamente o visitante, levando-o a, não só interagir com os módulos propostos, mas, buscar respostas às suas dúvidas conceituais que surgem ao longo da interação.



O resultado desta receita: Um novo aprendiz. Um indivíduo que seja capaz de rever seus conceitos científicos sobre determinado conteúdo, escolar ou não. Que seja capaz de reestruturar esses conceitos e ganhar em aprendizado.
Talvez você nunca tenha pensado a respeito, mas, uma simples saída à rua pode provocar um ganho em conhecimento científico. E, por causa deste ganho, que os pesquisadores chamam de aprendizado não-formal, vários estudos estão sendo feitos na tentativa de mapear e nos informar sobre esse novo jeito de aprender.
Hoje, existem muitos lugares próprios a estimular o que os pesquisadores chamam de Reestruturação Conceitual, que nada mais é que um acréscimo ao nosso conhecimento. Algo que tínhamos uma leve noção, mas, que com algum estímulo externo, e, um passo a mais na nossa zona proximal, poderemos compreender melhor.
Gostaria de apresentar a você, leitor, o relatório final de uma pesquisa sobre essa transformação no conhecimento de jovens que tiveram a oportunidade de visitar um Centro de Ciências na cidade do Rio de Janeiro. Durante esta visita, acompanhada e observada por uma pesquisadora (autora deste texto) realizando seu pós-doutorado em Ensino de Ciências, pode-se observar um progresso conceitual dos alunos visitantes que questionam e interagem com os conceitos apresentados no espaço de educação Não-formal. Como este relatório será compilado em sua íntegra, sugiro observar o que seja mais de seu interesse, podendo reparti-lo em: introdução, onde apresento conceitos importantes para a compreensão do estudo que foi realizado, metodologia, na qual são descritos os passos tomados para a realização dessa pesquisa proposta, e, os resultados, que são discutidos e analisados em sua íntegra. Nestes, observamos o que escrevi no início desse texto, a inclusão científica de saberes que pode estar presente em um simples passeio.
Para maiores informações e acesso à pesquisa, entre em contato com a professora Valéria e aproveite a leitura! Quem sabe você também não passará por uma reestruturação em seus conceitos?



Valéria Vieira valvibr@yahoo.com).br

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O MENINO QUE PULOU O MURO

Qual poderia ser a surpresa e espanto de quase todo mundo, quando soube-se que Carlinhos, aluno aplicado e disciplinado, havia pulado o muro da escola para participar das aulas, num dia muito chuvoso e frio, típico daquela época do ano!
Foi descoberto em sua façanha pelo chefe de disciplina e levado diretamente para a sala da direção.
Dali mesmo recebeu a advertência pelo grave evento, registrado também em ficha individual.
Não lhe foi permitido nem mesmo o direito de dar explicações.
Não haveria desculpas. Saltar o muro para assistir aula, onde já se viu isso?
A rotina seria o inverso, saltar para fugir. Até aí tudo normal!
Assim, Carlinhos trazia uma situação nova, e novidade não era algo muito bem vindo dentro dos muros daquela escola.
Agravou a situação o fato de que Carlinhos residia na mesma rua da escola, portanto, ato injustificável, o atraso.
Nervoso, porém calado, ouviu a "sentença" e não questionou.
Pouco adiantaria!
Não foi levada em consideração a sua história de bom aluno e respeitoso aos regulamentos da escola, especialmente aos seus professores, os quais o tinham com bom conceito, muito além da média entre os discentes.
Findo o episódio, no dia seguinte, lá estava ele entre os primeiros a entrar pelo portão principal da escola, ounvindo piadinhas maliciosas de seus colegas e até mesmo de alguns funcionários. E por chegar cedo, mais uma vez levou um "pito" do chefe de disciplina em tom de ameaça. "Tá vendo: quando você quer você chega no horário".
Como não lhe foi dado o direito a explicações, soube-se mais tarde que seu pai havia falecido poucos dias antes, por isso mesmo, após noites mal dormidas não conseguiu acordar no horário habitual e daí a razão do seu atraso.
Confidenciou a um amigo mais tarde, que sempre gostou muito da escola e mesmo atrasado, com o coração aflito pela perda paterna, seu desejo era correr para a escola por se tratar de um lugar que tanto amava.
Muito se falou sobre o fato, inclusive nos Conselhos de Classe, em debates nas salas de aula e até na mercearia da esquina próxima a escola.
Havia muita indignação!
De fato, deve-se questionar se a escola tem garantido um genuíno espaço democrático que se permita praticar valores, experimentá-los e propagá-los?
Estará a escola preparada para identificar abusos que podem causar danos irreparáveis tanto a discentes quanto a docentes?
Mas para quem se propõe atuar no ambiente escolar, deve-se observar aspectos fundamentais de pertencimento, integração, respeito, rejeitando-se ações unilaterais e excludentes a todos os atores do desenvolvimento do ensino já tão fragilizado.
O que dizer quando a única possibilidade de escolha está situada entre o homem que pisa ou o outro que deseja pisar?

terça-feira, 7 de junho de 2011

A MORTE DE JUSTO ALTRUISTA, UM EX-COMBATENTE BRASILEIRO

Justo Altruista, morreu reduzido a uma insignificância diante dos passivos brasileiros pacatos e desinteressados pela própria história. Justo era um dos poucos remanescentes da hercúlea jornada que foi a aventura dos "pracinhas" na Segunda Guerra Mundial.
Poucos retornaram à pátria brasileira e esses poucos ainda teriam que travar a mais vergonhosa das batalhas com o "fogo amigo", ou seja, contra o seu próprio governo, na árdua tarefa de constituir provas de que realmente estiveram em campo de batalha!
Primeiro entre poucos a correr saguão, um amigo de tempos passados ali estava a observá-lo em seu leito de morte. Altivo Alijado, serviu na mesma companhia e também chegou a Nápoles pensando estar em Cabo Frio. Na lembrança do nobre amigo, a luta pelos ideais de liberdade subindo morros e colinas, montes e castelos dia após dia sob condições desumanas como se de outro maneira poderia ser: a guerra!
Em silêncio foi enterrado ao som do canto desafinado do hino da pátria, por alguns outros presentes. Pátria que tratou de não reconhecê-lo!
O soldado Justo foi mais um número no triste descaso no trato dos nossos verdadeiros heróis, os cidadãos invisíveis!
Se ainda assim o soldado Justo teve o direito de ser enterrado em solo pátrio, não foi assim com muitos outros registrados nas cruzes de Pistóia ou mesmo sabe-se lá onde mais!
Se é popular e quase parte do imaginário coletivo que a "justiça tarda, mas não falha", vê-se sob a tutela da classe dominante um mecanismo de acomodação na busca de soluções para os inúmeros problemas por este país afora.
E a vergonha da nação pobre que Justo honrou, como fica? Esta maneira de governar, que tem o péssimo hábito de esconder os maus exemplos como em casos recentes, deixando um questionamento: até onde o poder pode corromper?
No mínimo tais abusos deveriam gerar algum impacto em nossa postura, mesmo que docilizada. Mas é mais fácil jogar a poeira para debaixo do tapete do que limpar a casa.
Esta alternativa, no entanto, Justo Altruista não teve na guerra. Sua opção foi enfrentar o inimigo de corpo e alma mesmo que em condições desfavoráveis. Nem por isso se omitiu!
Não pode haver dois pesos e duas medidas.
Onde está a dignidade da população que se cala diante de fatos tão lamentáveis?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O REINO DESENCANTADO DE KRÜMEL

O Reino Desencantado de Krümel é muito rico e habitado por muitas pessoas pobres governadas por um rei incompetente e generoso, conhecido como Benevolente I.
Devido a sua generosidade, grande parte da riqueza do seu reinado, entretanto, tem sido distribuída a invasores estrangeiros e saqueadores, e uma outra parte restante fica com alguns poucos nativos bajuladores, que acabam proprietários de quase tudo daquilo que sobra.
Esse reino ganhou fama também, por causa da festança desregrada, da corrupção e do hábito das autoridades que incorporaram o “dito pelo não dito”, como prática para azeitar o conhecido “jeitinho”, bastante comum no reino, que apesar do diminutivo da expressão, causa um estrago aumentativo na distribuição da renda à população, distanciando cada vez mais os ricos dos miseráveis.
Mesmo aqueles que têm quase tudo, por concessão do rei, é comum as práticas das falcatruas em detrimento de tantos outros cidadãos do reino.
Por ordem expressa do rei, influenciado sabe-se lá por quem, somente algumas pessoas podem aprender a ler e escrever.
Só há uma escola que presta, mas educação não é uma ação bem vista pela nobreza. O saber deve ser restrito a poucos habitantes do reino de Benevolente I.
No entanto há outros que preconizam um ensino de qualidade, mas esses são conhecidos como os “bobos da corte” e inapelavelmente são ignorados e tratados com indiferença e não dispõem de qualquer credibilidade. Assim ocorreu com o escritor, pesquisador e educador Sábio Fábio Águia Branca. De tanto exigir um ensino de qualidade para todos, foi colocado na masmorra e nunca mais se falou dele.
Já se falou e ainda fala dele em outros reinados, mas por aqui é dado como louco!
É do conhecimento de todos que o rei lê muito pouco, escreve mal e quando improvisa seus discursos é vexame na certa, esculhambando com o sentido de representação de um povo envergonhado.
Mas é o rei! E para reinar é necessário saber mandar e só!
Um lugar muito desejado pela corte são as arenas. Elas constituem palcos das lutas e jogos. Construídas com os impostos dos citadinos miseráveis, é comum serem destruídas para serem construídas de novo e muitas vezes demolidas para serem reerguidas. No Reino Desencantado de Krümel este episódio é conhecido como “legado”.
O rei e toda a sua corte adoram comparecer às arenas.
Por medida de segurança imperial, ficam sempre distantes dos olhares curiosos do povo.
Mas rei que se presa não olha para o lado, muito menos para baixo, e assim não vê os súditos famintos assentados nos degraus divisíveis da representação clássica da constatação do descaso, do desaviso de falência, dos remendos da postergação do óbvio, ludibriados em nome do amanhã, como se hoje não existisse.
Há muitas leis em Krümel. Aliás, tem lei para todos os lados. Há inúmeras leis para cumprir a própria lei. Difícil é torná-las possíveis, exceto àquelas dos direitos da corte e da expropriação dos cidadãos, afinal quem as escreve legisla infinitamente em causa própria e de alguns próximos.
E assim os distúrbios sociais persistem, mas imediatamente os mensageiros do reino levam notícias informando que o inimigo está sob controle e por isso mesmo, ainda não é a guerra e nem há razão para pânico, mas para muitos, é dada como certa.
A violência já não é algo tão destacado, não pelo fato da sua inexistência, mas, por ser tão corriqueira já não causa espanto.
Como numa estrada, as passagens nunca são iguais aos olhares. Assim pode-se acostumar com o cenário e nem perceber nos arredores os maltrapilhos amontoados.
E nesse panorama sombrio o rei continua soberano!
Mentiras que se transformam em verdades.
Verdades que se transformam em mentiras.
E a saga continua!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O XIS DA QUESTÃO

É sabido que o Brasil não conta com ensino de qualidade já faz tempo!
O nepotismo é praticado sem piedade, bordejando hora aqui hora acolá.
A louvação parece inflectir diante de tantos matreiros e odiosos.
O honesto, no revés da história se transforma em bobo da corte.
Por todas as esquinas e cruzamentos repulsa e indignação de uma população boquiaberta e no limiar da impaciência ciclônica.
O ENEM, não difere dos demais episódios lamentáveis da nossa realidade.
Corriqueiramente entre tantos episódios dantescos, banaliza-se o imenso transtorno que significa o acesso à universidade, vide os equívocos e trapalhadas que, aliás, não foram acontecimentos novos.
Torna-se então, piada de mau gosto na boca dos boateiros, o fato de que, quem comanda este evento seletivo são “marinheiros que não estão em primeira viagem”. Será verdade?
Do outro lado do picadeiro, melhor dizendo, dentro dele, estão os jovens, esperançosos por galgar novas oportunidades no ensino, mesmo que este esteja cambaleando e tropeçando nas próprias pernas. Famílias inteiras que optam, apesar de tanto apelo ao contrário, pela correção, pela ética, pelas regras democráticas do justo concurso ainda assim injusto, da seleção de alguns em detrimento de tantos que ficam pelo caminho.
Que a aplicação de uma prova para quase quatro milhões de pessoas é um evento complexo com dimensões continentais, isto ninguém duvida!
Exige naturalmente uma logística grandiosa com investimento altíssimo, que beira a casa dos 100 milhões de reais.
Mas a pergunta que fica é se também por aí há uma reedição das infindáveis situações e desacertos administrativos para não dizer, pelo menos equivocados, nas instituições gestoras da máquina governamental?
E o xis da questão é o fato de acostumarmos com este desolador cenário e não darmos a devida importância com o desfile que está diante dos nossos olhos contemplativos, condescendentes e descrentes com aquilo que se vê.
Grave, senão pior, são as notas risíveis e melodramáticas dos governantes. Repetitivos, metafóricos e a cada dia que passa, mais cansativos e muito distantes da mestria, que deveria ser o mínimo exigido para aqueles que se candidatam ao comando.
Já passou da hora de brincar de faz de contas. É chegada a hora, se já não é tarde demais para limpar a maquilagem da cara de pau!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O GRANDE CONFLITO DAS BANANAS

Confesso que já tive mais orgulho de ser uma banana.
Atualmente sou um (a) banana muito triste e impaciente. Dizem que sou forte e que valho pouco, no entanto.
Sou uma má companhia na concepção de muitos.
À noite então, todos me evitam. Vivem dizendo que não sirvo para nada e que minha presença acaba trazendo problemas à saúde dos demais.
Digo que as bananas têm uma característica curiosamente rara: não desistem facilmente, mesmo quando o cacho está preto!
Vivemos sempre em famílias numerosas, com muitos irmãos e apenas um coração.
Não podemos escolher como e onde nascermos, mas se pudéssemos seríamos maçãs, sempre bem vestidas e desejadas, que se orgulham da terra natal.
Majestosas, às vezes ácidas, vivem esnobando as primas mais pobres e até se dão ao luxo de escolherem roupas de várias cores.
Desdenham da gente, pois vivem no frio, e por isso têm o privilégio da relação com gente mais bem sucedida enquanto nós vivemos no calor entre os pobres.
Em nosso país, no entanto, verdade seja dita, muitas bananas se corromperam e vivem se metendo em encrencas, falcatruas e outras situações ainda mais esdrúxulas.
Verdadeiras “bananosas” que irremediavelmente acabam em pizza, inclusive de bananas!
E com isso, a nossa (des) união gera tantas bananadas que de tão vulgares, ganham-nas de brinde aos montes.
É uma grande avacalhação com algumas poucas bananas valorosas que não se corromperam.
E assim, vamos levando a vida de mansinho, como se nada estivesse acontecendo de pior.
Para piorar vivemos penduradas, em pencas e com a fragilidade do lugar constantemente caímos e rolamos morro abaixo.
Por isso mesmo deixamos de viver na cabeça de muita gente boa.
Tornamo-nos importantes por aqui, somente no período da colheita, de quatro em quatro anos.
Depois esquecidas, apodrecemos rapidamente e aí só mesmo nos fornos com as tortas.
Mas para as colheitas vindouras sempre haverá mais bananas, algumas verdes a bem da verdade.
Dizem que os bananas e as bananas, sem distinção de sexo, ainda serão importantes.
Constantemente quem elabora e defende esses conceitos são as bananas nanicas, nossas primas.
Meus ancestrais também acreditaram há séculos, mas até hoje, nada!
Continuamos bananas desvalorizadas por que damos em qualquer lugar e para qualquer um.
Pois essa é a nossa terra: a Fazenda Bananal Tropical.
Não é à toa que muitas bananas continuam fugindo, por não concordarem com tanta desconsideração, inclusive com as bananeiras. Quando velhas são nomeadas inúteis e cortadas impiedosamente.
E tem sido assim, sempre: carregamos o fardo de que quando alguém erra, foi devido a um escorregão logo em nossa casca inútil.
E a elite das frutas, em estado de graça, sorri da nossa desgraça.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O REINO DAS MARITACAS

Sou aquele que sempre soube que não sabia.
Estou conformado com a corrupção por toda parte.
E por mais que se fale, tenho lá minhas convicções de que a maior verdade é a mentira descabida de todo dia.
Não me considero um paliativo nem uma metáfora, mas penso que sou.
Faço parte da nação envergonhada de tanta falácia.
Sou o que desejam que eu seja e não me importo mais.
Sinto-me reverenciado pela elite dominante por fazer parte do grupo que não decifra.
Vivo a coação moral da miséria das almas escravas.
Tenho sido uma peça rejeitada pelo sistema, constantemente eliminada pelo controle de qualidade dos poderosos.
Fui alfabetizado e até leio, mas não compreendo.
Imagino o que precisaria para ser.
Não vivi a cidadania plena ainda, e nem sei se um dia poderei desfrutá-la.
Hoje, é o passado à minha porta.
Pois tudo é feito para o futuro.
Mas o futuro não me pertence.
Sou tratado como uma raridade inútil, pois valho somente um voto.
Vivo no Reino das Maritacas, onde os políticos são eleitos pelos seus feitos em arenas e picadeiros.
Sei muito bem, como maritaquense, as consequências da guerra.
Mesmo acuado vejo-a apenas na ficção, no faz de contas.
Sinto-me próximo dos altares e ainda assim, vejo sempre a dor e o sofrimento.
Frequento, sob suspeita do poder, os leitos lacrimais. São testemunhas, em absoluta solidão, da minha maior vergonha: o descaso das autoridades com o povo maritaquense.
Meu nome é Brasilino e ainda moro por aqui, mas não sei por quanto tempo mais!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O CÁRCERE E A LIBERDADE

Um poeta, certa vez, descreveu uma “Terra Azul” às crianças, tocando o coração dos jovens, acenando com a liberdade.
Sábio, fez ilimitada a luz aos adultos.
A mente incansável denunciou os abusos das ações de um Estado opressor.
O pão e o cálice ficavam adiados irremediavelmente!
Àqueles que se acovardaram, lutaste com dignidade, muitas vezes solitário, nas longínquas trincheiras de um país mergulhado nas trevas.
Nas casernas do ódio prevaleciam as botas sujas, enlameando e envergonhando os operários da democracia, implacavelmente perseguidos. Ainda assim perdoou seus algozes, ensinando-lhes a compaixão! Homem de alma grandiosa, generosa e musical!
Ópera magistral da tua simplicidade, de uma vida corajosa, destemida, visionária e confiante num país soberano.
Foste justo, verdadeiro, debruçado em livros, poético!
Tua caneta não terá sido em vão!



Para Waldyr Amaral Bedê.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MORRER, RESSUSCITAR E MORRER DE NOVO?

O Brasil organizará quatro grandes eventos internacionais: Os Jogos Mundiais Militares em 2011; a Copa do Mundo de Futebol em 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e os Jogos Para-Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro. Sem contar a Copa das Confederações, evento este que antecede a Copa do Mundo.
Fato é que o Brasil deverá se preparar para a realização de eventos de tamanha envergadura, com planejamento, infra-estrutura e cronograma impecáveis.
Precisará impreterivelmente, promover ações e políticas públicas para a participação de milhões de crianças e jovens em programas de desenvolvimento do esporte.
Definir – ou implementar, caso este modelo que aí está atenda, um programa curricular esportivo para as escolas entre as mais altas das prioridades.
A missão não é nada fácil, se observarmos o que temos atualmente e os desafios que se apresentam: obras monumentais, prazos, integração das diversas esferas governamentais, agilidade da máquina administrativa e o combate à corrupção.
Se também aprendemos com os erros, temos pela frente uma ótima oportunidade de respondermos com competência e determinação à comunidade internacional e à população brasileira em especial, que não se trata de mais uma brincadeira de “faz-de-conta”.
Constitui-se verdadeiramente numa grande chance, talvez única, para se provar que há neste país pessoas honestas, comprometidas com a nação, que sejam capazes de liderar esse grande mutirão com competência e seriedade, exterminando, vez por todas, com o estigma que já vem de longa data, o qual nos rotula exatamente do contrário!
Se conseguirmos, ótimo!
Sob hipótese inversa, o que faremos?

Paulo Celso Magalhães

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O CIRCO QUE NÃO ERA CIRCO

Cheguei em casa numa dessas quartas-feiras e liguei a televisão para (tentar) assistir a um jogo de futebol.
Como o jogo não estava me agradando, quase não prestava atenção ao evento.
Telefonei a um amigo distante, revi a agenda do dia seguinte, brinquei com minha filha e quando retornei à TV, lá estava o jogo!
Procurei em vão, encontrar outro programa.
Uma emissora transmitia a missa, outra um noticiário a respeito da interminável violência na cidade do Rio de Janeiro, uma outra mostrava um espetáculo de circo. Optei pelo circo! Fiquei por ali, atento e animado aguardando a sequência do “espetáculo”.
Ainda assim, nada agradava.
Voltei, por exclusiva falta de opção, ao jogo!
Por um instante, recordei um velho amigo, escritor, poeta, crítico e eventualmente (para não dizer quase sempre) embriagado, que disse certa vez, em sua soberba inteligência, que eu não sabia assistir a um jogo de futebol, e que, muito menos, entenderia do futebol, praticado atualmente nos campos por este Brasil afora. Insistia na ideia de que eu deveria acompanhar o evento (o jogo), sob um olhar mais lúdico, mais leve, mais compreensivo com aqueles pobres coitados e esforçados jogadores.
Certo ou errado, na lembrança de suas palavras –às vezes, candongas, voltei mais uma vez à telinha, um pouco ressabiado e mineiramente desconfiado!
A partir daquele instante não “arredei pé” da sala de TV nem por um instante sequer!
Minhas gargalhadas, censuradas algumas vezes, estavam a prejudicar o sagrado sono dos vizinhos, pois já era tarde da noite –os jogos de futebol às quartas-feiras começam às 22h!
Minha filha trouxe-me aos modos, primeiro pela barulhada e depois por não entender minha alegria, assistindo a um simples jogo de futebol.
Onde estaria a graça?
Mas era tão engraçado...
Diferente do canal do circo, ali sim, os artistas eram engraçados!
Usavam chuteiras de todas as cores. Realizavam piruetas e tombos espetaculares!
Muito melhor que qualquer programa de luta livre.
Alguns nem se maquiavam. Eram autênticos “caras-de-pau”. Faziam caretas divertidíssimas.
Tinha de tudo: comédia pastelão, apresentadores anunciando para um público no estádio nada esfuziante e muito reduzido. Socos, pontapés, correria no picadeiro e muitos e muitos palhaços para uma única bola. Coitada!
Cambalhotas, dancinhas e cusparadas aos montes...
Outros artistas no bizarro cenário estavam a levantar bandeiras e a soprar apito querendo organizar a festança.
Outros senhores vestidos a caráter, num calor insuportável, tentavam desesperadamente, não se sabe porque, transformar aquela comédia em alguma coisa séria.
No final do espetáculo, alguns palhaços tentaram dizer algo, tão cansados que ninguém compreendia suas palavras.
Havia também um outro artista, que confesso, não identifiquei sua função no show. Um cidadão que ficava atrás de uma linha branca gesticulando e gritando sem parar, sem que ninguém o escutasse ou se importasse.
O “respeitável público”, coitado, muito pequeno, em homenagem aos palhaços, atirava de tudo no picadeiro: pilhas, rádios, sapatos, moedas, chinelos, frutas, até uns saquinhos cheios de um líquido refrescante amarelado.
Mas faltava a cena derradeira do dono do circo, que estava ao microfone tentando explicar aquela palhaçada!
Desde então, seguindo o conselho do meu amigo, não perco mais nenhum espetáculo!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

“É preciso entender e aceitar que o ponteiro de minutos trabalhando, na aparência, sessenta vezes menos, colha os mesmos frutos e chegue aos mesmos resultados do ponteiro de segundos”.

Citação de Dom Helder Câmara no livro Meditações do Padre José, de 1980.
Homem de diálogo eloquente pautou sua vida em uma trajetória caracterizada pela postura serena, ágil, corajosa na luta pelos menos favorecidos em especial os jovens.
Segundo o escritor Ênio Silveira, “credita-se ao autor o fato de que a justiça e a paz são estabelecidas ao fim de tortuoso caminho, de longas marchas e contramarchas em que os homens se irão depurando dos ódios, das vaidades e dos preconceitos”.
Analisando os ponteiros a que se refere Câmara, um trabalha mais do que o outro, mesmo que obtendo o mesmo desempenho.
Por outro lado, o ponteiro que não precisou se esforçar sobremaneira, para produzir com a mesma eficácia pressupõe o quanto estava mais adequadamente preparado.
E a vida segue, como um relógio! Uns trabalham mais e produzem, outros trabalham menos, mas também produzem, alguns atrasam, outros estragam e há aqueles que param simplesmente.
No Brasil, ficou famosa a Lei de Gerson -- lei de artigo único, uma bonança para se levar vantagem em tudo. Mesmo num país em que há muitas leis, dentre as quais, poucas são cumpridas, a Lei de Gerson está a desfilar de braços dados com muita gente país afora, desafiando o tempo; quanto mais velha, melhor e mais adotada, consequentemente praticada rotineiramente.
É cumprida ao “pé da letra”.
Sua versão final ficou assim: “tire proveito de tudo o que puder, pense somente em você mesmo e esqueça o resto”.
Sarcasticamente, é muito praticada no país.
Pode parecer surreal, mas esta lei pode até provocar incredulidade no leitor, pois há inúmeros eventos que a evocam nas mais diversas pautas, mas acredite, é real!
E não é por menos que os mesmos personagens que festejaram a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio em 2007 estão eufóricos com a realização da Copa de 2014.
Como os ponteiros do relógio do poema ou sob a mancha do aríete ou tuteladas pela Lei de Gerson, em algumas ações, o governo trabalha rápido. Se, preciso for, cria medidas provisórias, fura fila no BNDES para agilizar financiamentos, elabora pacotes de benefícios, com a perspicácia de transformar tudo isso num grande evento político.
Buscar uma razão plausível para o descaso com a educação, é a mais corriqueira das sínteses. Como um relógio velho, está jogada num canto qualquer. Seria medo?
Segundo Rubem Alves, “o medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte da nossa própria alma. O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar. Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja, vive a morte na própria vida”.
Moribundos na mesma Unidade de Terapia Intensiva encontram-se, a Educação, o Respeito, a Transparência – essa então, internada já faz tempo, a Ética, a Vergonha, entre outros. Estão todos lá, pouco visitados! Recentemente chegou uma outra paciente terminal. Por ordem médica, não poderá ter seu nome divulgado, para não criar muito constrangimento. Suspeita-se que seja a Verdade.
Para alegrar o povo e muito mais quem a organiza, vem aí mais uma Copa. E será no Brasil!
Até 2014 não se falará de outra coisa. O restante torna-se de pouca importância. Digo pouca, por ser otimista! Resta saber se os pacientes sobreviverão por tanto tempo.
Os relógios já registram a contagem regressiva para o seu início, que de fato, já começou pelo menos na falação das autoridades. E só!
O que não começou até agora é a ação que se aguarda corajosa dos governantes de tocarem no cerne de uma questão relacionada à soberania nacional: a melhoria radical da qualidade da educação no Brasil!
Mas isso passa muito longe das Copas, não é mesmo?

Paulo Celso Magalhães

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

TRANSPARÊNCIA. (A GLASNOST NÃO ESTÁ FORA DE MODA)

Há um clima de despreocupação injustificado no controle da responsabilidade e o combate à corrupção, à especulação e o descuido com as verbas públicas no Brasil.
Na solenidade de liberação de verba para a Copa de 2014 o presidente Lula comentou que “é muito importante o que vocês assinaram, para a gente não repetir os Jogos Pan-Americanos. O que aconteceu é que estava previsto para o Governo Federal investir R$ 400 ou R$ 600 milhões e terminamos colocando quase R$ dois bilhões no Pan. Seria o nome do Brasil que ficaria sujo na praça”.
À época pouco se falou sobre isso. Poucos anos se passaram e o que se vê, dói aos olhos, vários equipamentos se deteriorando por falta de zelo, descaso com instalações apodrecendo a céu aberto. O próprio Lula foi impedido de discursar na abertura dos Jogos, no estádio Maracanã, sob tremenda vaia, num dos episódios mais desagradáveis de incivilidade, desrespeito e ignorância demonstrados a um chefe de estado em abertura de evento esportivo.
Se aprender com os erros também é condição para evolução, eis aí uma ótima ocasião que o tempo vai se encarregar de desvendar à nação.
Está evidente que o presidente Lula, demonstra temor de que sejam repetidos os mesmos erros de 2007 e vem daí a razão da sua preocupação, aliás, no mínimo pertinente. Sem falar no legado para o esporte, que ninguém sabe onde foi parar!
Para a Copa de 2014, não é uma questão que devemos buscar orientação pela dialética, nem de pintar simploriamente o preto no branco. Há muito mais em jogo. São muitos os brasileiros que estão se definhando nos corredores dos hospitais, a insegurança é generalizada, independente da região, estradas péssimas repletas de pedágios inexplicáveis, o direito de ir e vir sob suspeita!
Pergunta-se: como se libera rapidamente mais de vinte bilhões de reais através de Medida Provisória se não há por outro lado, recursos para investimentos de porte na educação, por exemplo?
Qual transparência se refere o governo?
A Glasnost – a transparência apresentada ao mundo por Mickail Sergeiovich Gorbachiov na década de 1980 na extinta União Soviética, nos ensina que já não começamos bem, sem uma explicação da origem de tanto recurso para construção de estádios, hotéis, reforma de aeroportos, mobilidade urbana, entre os inúmeros outros afazeres, impostos pela FIFA. Esta é a prioridade?
Devemos envidar esforços para acompanhar todas as etapas do planejamento que desde já preocupa. Nesse momento além do significativo atraso, não se sabe ainda qual será a cidade sede da abertura da Copa!
A população brasileira deve levantar a cabeça para se ocupar dos assuntos do país. Soberania é isto, “ler” a realidade onde se vive.
Aqueles que não conseguem compreender o imperativo dos dias atuais, poderão ser golpeados, isto sim, com os métodos da gestão autoritária.
Na conjugação de transparência e pantomima, faz-me o favor, o que está esgotando rapidamente é a paciência, pelo menos de alguns!


Paulo Celso Magalhães

HONESTIDADE É OBRIGAÇÃO, PELO MENOS

Se tomarmos em última instância o que vem ocorrendo no país, estamos beirando o retrocesso ao invés de festejarmos a evolução. Refiro-me à decadência moral e das regras mínimas de convivência em sociedade.
Curiosamente, quanto mais se aprende, tanto maior a razão para espanto. A gente se nega acostumar a ler, ver e sofrer com as imagens e fatos que prognosticam o enfraquecimento da sociedade naquilo que é a sua essência: a arte de conviver!
Segundo os pesquisadores Coulson e Ridell (1979), a sociedade é mais do que a soma das pessoas que estão nela. Não são apenas as pessoas, mas também a maneira como elas estão relacionadas entre si, organizadas e distribuídas.
Num país de tantas leis, podemos comemorar – ou lamentar, mais uma: a lei da “Ficha Limpa”. Ela pode vetar candidatos, desde que estejam em situação irregular. Subentende-se também a desonestidade, inclusive a malversação do erário, ou seja, a falta de zelo com a verba pública. É isso mesmo, foi preciso uma lei para esse tipo de descalabro ético.
Mas, mesmo aquele, barrado no baile numa primeira instância, ainda poderá recorrer e entrar na festa.
É para causar estarrecimento, no mínimo.
Ser honesto não é motivo para se erguer troféus ou promover exibição de taças, como aquelas que ficam décadas e até séculos, nas vitrines dos clubes, muitas vezes empoeiradas ao relento dos cantos.
Honestidade é obrigação!
A rigor, a gente se surpreende com o avesso das coisas certas, mesmo que para isso as regras sejam subestimadas nas cartilhas de sobrevivência.
Um procedimento intrigante, mas muito comum na prática do dia a dia.
É uma aspereza paradoxal, de proporção colossal.
Uma verdadeira guerra!
Mas não é somente uma guerra visível, seja ela por qualquer razão, injustificável naturalmente, senão estúpida, aliciada pela impunidade contumaz arraigada aos contrapassos, gerenciada pela falta de decência das inúmeras manobras da enganação e do faz de conta!
É necessário ao que parece, aperceber-se diante da tênue possibilidade da convivência em harmonia, das conturbativas diferenças do alfabetamento inútil.
É a desumanidade do homem para com o homem.
Atos individuais ou coletivos de iniquidade têm mergulhado grande parte da sociedade na brutalidade, no derramamento de sangue, na indiferença descabida, na obscuridade da grande “fábrica de mentiras”.
O desejo de liberdade, não existe por acaso. Ele está dentro de nós. Mesmo que a negociata se encarregue de mantê-lo distante do nosso alcance.
Criatura ou criador, o homem é responsável pelo estado de coisas que aí está e que parece não ter fim!


Paulo Celso Magalhães

terça-feira, 24 de agosto de 2010

ATÉ QUANDO?



Existe um grupo de analistas que defende a idéia de que os países menos desenvolvidos podem se tornar desenvolvidos. Para muitos outros, o subdesenvolvimento é uma etapa que antecede o desenvolvimento. Fato é que outros analistas consideram o subdesenvolvimento não como uma etapa anterior que precede ao desenvolvimento, mas como uma situação que pode ser permanente.
Segundo o escritor Pércio Santos de Oliveira, pode-se utilizar uma série de indicadores do subdesenvolvimento que permitem caracterizar os países que se encontram em tal condição: insuficiência alimentar; grande incidência de doenças; composição etária com predominância de jovens; baixa renda per capita; concentração de renda e subemprego entre outros.
Entretanto, um fato recente nos chama a atenção. De certa forma, as populações de inúmeros países começam a ter consciência de sua miséria. Identificam atores que pregam a lei, a correção, a austeridade, mas praticam exatamente o contrário.
Recentemente, o Senador José Sarney escorregou novamente no próprio discurso. Demonstrando preocupação e agindo para moralizar o senado brasileiro, se viu obrigado – e só por isso – a admitir que ele também se beneficia do sistema, recebendo auxílio moradia. Pior ainda, admitiu que desconhecia o fato. Logo ele que se vestiu de xerife da “honestidade” apesar do seu histórico nada animador.
Órgãos de comunicação de massa têm contribuído para desmascarar esses vilões, revelando a todos a existência de aberrações como essa.
Como explicar um senador da república que já é altamente remunerado ainda receber tantos aditivos salariais? Ainda mais se considerarmos um salário absurdamente inimaginável se comparado aos proventos praticados no país. Enquanto isso, a população se vira para sobreviver com salários ridículos.  
Até quando?




Paulo Celso Magalhães

UM PALANQUE NO FUNDO DO POÇO

Acompanhei o discurso palaciano do Senador José Sarney, presidente do senado, na última semana.
Falou e não disse!
A pergunta que fica é se a nação brasileira ainda merece passar por isso?
Apesar de peça corriqueira, Sarney ainda consegue proporcionar momentos bisonhos e lamentáveis. Desnecessário a uma população exausta de tanto palavrório.
Seus “50 anos de vida pública” não foram suficientes para trazer equilíbrio às suas trêmulas palavras. Transferiu responsabilidades que são dele, enquanto líder eleito com o propósito de moralizar a casa, que já presidiu anteriormente. Ficou muito vulnerável.
Difícil até para compreender, pois boa parte desses anos esteve atrelada ao Golpe de Estado de 1964 e que de certa forma tentou minimizar.
Exigir a “colaboração dos colegas” parece ato de desespero.
É assumir publicamente que pouca coisa está funcionando e pior, ninguém sabe o porque.
O eleitor brasileiro não espera colaboração dos parlamentares. Exige trabalho com responsabilidade e comprometimento. É para isso que estão lá.
Parafraseando o Corão, é melhor calar quando não há o que dizer.

Paulo Celso Magalhães.